O que significa gestão de mercadorias no restaurante
Gestão de estoque soa como software. Mas antes de tudo ela é uma corrente que existe em todo negócio, com ou sem sistema. Ela tem seis elos:
Em laranja está o que o Pelican cobre. No recebimento, os itens são conferidos, mas nenhum estoque é lançado. Na análise, o histórico de pedidos entrega quantidades e gastos, mas nenhuma ficha técnica. Um sistema clássico de gestão de estoque cobre os seis elos, desde que seja mantido em dia.
Um sistema de gestão de estoque, muitas vezes parte de um ERP para restaurantes, é a tentativa de representar essa corrente inteira em um software e ter resposta a qualquer momento. A pergunta decisiva para o seu negócio não é se a corrente existe. Ela existe. A pergunta é qual parte dela você quer digitalizar e quanto você paga por isso em horas de trabalho.
O que um sistema clássico de gestão de estoque faz
Um sistema completo de estoque para restaurantes faz muita coisa, e com razão:
- Estoque em tempo real. Em teoria, o sistema sabe a qualquer momento quanto filé mignon tem na casa, porque cada entrada e cada saída são lançadas.
- Fichas técnicas e custo dos pratos. Cada prato está ligado aos ingredientes cadastrados, com quantidades e preços. Se o preço da manteiga sobe, você vê na hora quais pratos ficam mais caros e onde a sua margem de contribuição desaba.
- Integração com PDV e fornecedores. A venda de um prato no caixa baixa os ingredientes do estoque. Os pedidos vão eletronicamente para o distribuidor, e as tabelas de preço voltam automaticamente.
- Sugestões automáticas de pedido. A partir do estoque mínimo, do consumo das semanas anteriores e do prazo de entrega, o sistema calcula o que precisa ser reposto.
- Apoio ao inventário. Listas de contagem, comparação entre estoque teórico e real e o cálculo de perdas saem do sistema.
Isso não é marketing, funciona. Desde que os dados estejam certos.
O porém: o trabalho de manutenção
Um sistema de gestão de estoque só é tão bom quanto os seus dados. E cada uma dessas funções exige que alguém alimente o sistema:
- Cada entrada de mercadoria precisa ser lançada, inclusive as duas caixas de alface que o representante traz ao meio-dia.
- Cada ficha técnica precisa ser cadastrada e mantida, mesmo quando o sous chef hoje resolve usar cogumelo shimeji em vez de champignon.
- Cada saída precisa ser registrada, inclusive o creme de leite que o estagiário pega na câmara fria às sete da noite, no aperto.
- Cada mudança de preço precisa ser atualizada, senão o sistema calcula com números de dois anos atrás.
Numa cozinha com cinco pessoas e casa cheia, é exatamente isso que não acontece. Não por preguiça, mas porque entre o almoço e o jantar ninguém tem tempo para preencher formulário. O resultado quase todo mundo que tentou conhece: um sistema caro, um estoque semanas atrasado e uma equipe que não confia mais nos números. No fim, alguém volta a contar na câmara fria à mão, e o software vira uma mensalidade que continua sendo cobrada.
O começo pragmático: primeiro colocar ordem nos pedidos
Para todos os outros, vale olhar com honestidade onde a dor do dia a dia realmente está. E ela quase nunca está no saldo do estoque. Ela está nos pedidos:
- Mercadoria esquecida porque ninguém anotou. Sexta à noite falta creme de leite.
- Pedidos em dobro, porque duas pessoas avisaram a mesma coisa sem saber uma da outra.
- Papéis em três portas diferentes, ilegíveis, sem quantidade.
- O chef de cozinha digita tudo de novo à noite.
- Depois do pedido, a lista some. O que foi pedido, quando, de quem e por qual preço, ninguém sabe mais.
Numa estimativa grosseira, aqui estão uns bons 80 por cento da irritação diária, e nenhum desses pontos precisa de controle de estoque. Eles só precisam de uma lista compartilhada em que todos possam escrever, e de uma memória.
É exatamente essa parte que o Pelican digitaliza, sem ninguém precisar alimentar nada a mais. A equipe de cozinha registra a necessidade no momento em que percebe a falta, por voz, do próprio celular. Cada um no seu idioma: tomate, pomodoro e tomatoes viram um único item. A lista se organiza sozinha por categoria, e o chef de cozinha revisa e aprova antes da visita do representante. O histórico de pedidos se forma de passagem e mostra ao dono o que foi pedido, quando e de quem.
A diferença para o sistema completo está nas palavras “de passagem”. Ninguém lança nada, ninguém mantém cadastro. Os dados nascem como subproduto do trabalho que a equipe já faz. É justamente por isso que, depois de três meses, eles continuam lá, enquanto o estoque do sistema sem manutenção já virou ficção.
Comparação: sistema completo ou app de pedidos enxuto
| Critério | Sistema clássico de estoque | Pelican |
|---|---|---|
| Pedido em equipe | geralmente por uma pessoa no computador do escritório | todos ao mesmo tempo, por voz, pelo celular |
| Controle de estoque | sim, em tempo real com lançamentos corretos | não |
| Fichas técnicas e custos | sim, incluindo acompanhamento de preços | não |
| Histórico de pedidos | sim | sim, formado automaticamente |
| Integração com o PDV | geralmente disponível | não |
| Implantação | cadastro de produtos, fichas técnicas, treinamento: semanas | criar o estabelecimento, convidar a equipe: uma tarde |
| Manutenção contínua | lançar todo dia, senão os números ficam errados | nenhuma, os dados nascem ao fazer o pedido |
| Equipamento | muitas vezes terminal, leitor, computador no escritório | os celulares que a equipe já tem |
| Custo por mês | de algumas centenas de reais a bem mais, conforme os módulos | € 19 Solo até 3 usuários, € 29 Basic até 5 usuários, € 59 Pro ilimitado |
| Indicado para | redes, cozinhas industriais, negócios com setor de compras | restaurantes e cozinhas de hotel sem pessoa dedicada aos dados |
A tabela não mostra um vencedor, e sim duas ferramentas diferentes. Um sistema completo responde à pergunta “o que eu tenho na casa e quanto me custa o meu prato?”. Um app de pedidos responde à pergunta “do que a minha cozinha precisa e o que eu pedi?”. A segunda pergunta aparece todo dia; a primeira, em muitos negócios, honestamente, uma vez por mês, no cálculo do CMV.
Ajuda para decidir em quatro perguntas
Antes de pedir orçamentos de um sistema de gestão de estoque, responda com honestidade a estas quatro perguntas:
- Vocês precisam de estoque atualizado no dia? Não: seria legal. Mas sim: vocês tomam decisões que dão errado sem o estoque ao vivo?
- Vocês fazem ficha técnica de forma sistemática? Ou seja, de verdade, cada prato com os ingredientes cadastrados, e não uma estimativa por alto uma vez por ano?
- Vocês têm uma pessoa que cuida dos dados todo dia? Com tempo para isso na escala, não “o chef faz à noite”.
- Onde vocês perdem dinheiro de verdade no dia a dia? Com estoque errado ou com mercadoria esquecida e pedida em dobro?
Se você responder não duas vezes nas três primeiras perguntas, não compre um sistema completo. Ele não vai ser mantido e não vai entregar números em que você confie. Comece pelo processo de pedidos. Ele traz calma na hora, custa uma fração e gera de passagem o histórico com que você pode controlar o CMV. Se daqui a dois anos você crescer e precisar de um sistema de gestão de estoque, vai dar esse passo com uma equipe que já está acostumada a pedir no digital.
Comece por onde dói todo dia.
O Pelican reúne o que a sua cozinha precisa, já organizado, em qualquer idioma e sem trabalho de manutenção. Funciona nos celulares que vocês já têm. Teste grátis por 30 dias.
Criar estabelecimento e testar grátis por 30 diasPerguntas frequentes sobre sistema de estoque para restaurante
O que é um sistema de gestão de estoque para restaurante?
Um sistema de gestão de estoque representa digitalmente todo o fluxo de mercadorias: pedido, recebimento, estoque, consumo pelas fichas técnicas e a análise. Ele mantém o saldo de estoque, sugere quantidades de pedido e calcula o custo dos pratos. A condição é que cada movimentação seja lançada no sistema. É exatamente aí que ele costuma falhar em cozinhas pequenas.
Quanto custa um sistema de estoque para restaurante?
As faixas são amplas. Soluções enxutas em nuvem para uma unidade costumam ter mensalidades na casa de algumas centenas de reais, enquanto sistemas completos com integração ao PDV e aos fornecedores custam bem mais. Muitas vezes há ainda custos únicos de implantação, cadastro de produtos e treinamento. Some com honestidade também as horas de trabalho para a manutenção diária. Em geral, elas pesam mais do que a licença.
Existe sistema de estoque grátis para restaurante?
As versões oferecidas de graça quase sempre são versões de entrada reduzidas ou períodos de teste. Elas acabam onde a coisa fica interessante: no número de usuários, nas integrações ou nos relatórios. Mais importante, porém: o preço não muda o problema de fundo. Um sistema grátis também precisa ser alimentado todo dia. Se isso não acontece, o estoque está errado em duas semanas e o software não serve para nada.
Um aplicativo de pedidos basta no lugar de um sistema de estoque?
Para muitos negócios pequenos e médios, sim. A dor do dia a dia está quase sempre nos pedidos: mercadoria esquecida, pedidos em dobro, bagunça de papel, nenhum histórico. Um aplicativo de pedidos resolve isso sem trabalho de manutenção. Quem precisa de estoque atualizado no dia ou faz ficha técnica sistemática de cada prato não escapa de um sistema completo. No que prestar atenção na escolha está no guia do aplicativo de compras para restaurante.
O Pelican é um sistema de gestão de estoque?
Não. O Pelican é um app de planejamento de pedidos para cozinhas profissionais. A equipe registra a necessidade junto, por voz ou digitando, a lista se organiza por categoria, o chef de cozinha aprova e o histórico de pedidos se forma automaticamente. O Pelican não controla estoque, não calcula fichas técnicas, não é sistema de PDV nem sistema de pedidos para clientes. Ele cobre a parte da gestão de mercadorias que dói todo dia.
Parte do guia completo: Gestão de compras no restaurante. Lá você encontra as seis etapas do ciclo de compras em uma visão geral.